Um fio na teia da vida.

segunda-feira, 1 de abril de 20130 comentários


UM FIO NA TEIA DA VIDA


Pense em qualquer pessoa do mundo. Em qualquer cidade ou país. Celebridade ou anônimo. Pois então acredite: apenas seis e no máximo seis laços de amizade separam você dela.

A Teoria dos Seis Graus de Separação é uma história antiga (anterior à internet e às redes sociais e similares), que tenta provar que o mundo é uma rede. Nesta teoria todos estaríamos conectados com qualquer pessoa do planeta através de uma corrente de contatos que teria apenas seis componentes. Ou seja, entre nós e o resto do mundo há, no máximo, outras cinco pessoas que se conhecem entre si.

Este conceito ilustra como somos um organismo social, reflexo da evolução do conceito de que a vida é, essencialmente, relação. Nada no universo da vida está isolado na Natureza e da Natureza. A vida é essencialmente fraternidade.

Esqueça, portanto a Lei do Mais Forte!

A ideia de que o processo de seleção natural é uma imensa arena de gladiadores onde os mais fortes exterminam os mais fracos pode ser um grande equivoco.  A origem e a evolução da vida no planeta Terra dependeram muito mais de processos de simbiose – relação mutualmente vantajosa, onde dois ou mais organismos são beneficiados – do que de competição.

O processo de evolução dos seres vivos nunca ocorreu de forma isolada. A co-evolução, de redes de organismos colaborando mutuamente foi o caminho encontrado nessa fraterna e solidaria construção da vida.

E neste contexto o homem é apenas um elemento desta trama. Como disse o Chefe Seattle, “Não foi o homem quem teceu a trama da vida, ele é meramente um fio da mesma. Tudo o que ele fizer à trama, a si próprio fará”.

Neste momento a Coréia do Norte se declara em estado de guerra e adverte que qualquer provocação militar próximo às fronteiras terrestres ou marítimas das Coreias acarretaria "um conflito em grande escala e uma guerra nuclear", como diz o comunicado norte-coreano.

Pois então chega de desenvolvimento sustentável? O que precisamos é apenas de uma retirada sustentável bem planejada?

Mais de 99% das espécies que já apareceram no planeta foram extintas. Como mero fio desta teia, sabemos que a vida seguirá o seu curso mesmo sem a humanidade, pois, historicamente, sua evolução obteve saltos mesmo em catástrofes.

Porém, infelizmente a extinção da espécie humana significaria um grande atraso evolutivo, não porque somos mais importantes, mas porque apresentamos um alto grau de complexidade, expressa essencialmente em nossa consciência, fruto de uma evolução de pelo menos 3,5 bilhões de anos.

Evoluímos em consciência, aprendemos a pensar e analisar. Reinventamos o mundo e passamos a ser co-criador da Natureza. Clonamos seres, hibridizamos moléculas de DNA, controlamos ecossistemas, mapeamos genes e criamos variantes formas de vida.

Copiamos a Natureza em quase todos os sentidos e em quase todas as suas formas. Mas apesar disso ainda não conseguimos copiar aquilo que é de mais importante em sua essência: a fraternidade e a solidariedade, que se constituem nos elementos-chave para a manutenção do equilíbrio desse organismo social.

A terra não pertence nós. Nós pertencemos a Terra! E como parte dessa rede, estamos todos interligados: eu, você, um jovem ditador na Coréia do Norte, um velho cientista no Arquipélago dos Galápagos, unidos como o mesmo sangue que une uma família. Tudo está relacionado entre si.

Morte, vida e nascimento. Futuro, presente e passado. Amor, esperança e coragem. Tudo também está conectado.

Tudo quanto agride a terra, agride os filhos da terra e tudo quanto agride ao teu próximo, agride a ti mesmo.


Erick Caldas Xavier
É Biólogo pela UEL, especialista em Gerenciamento e Auditoria Ambiental pela UTFPR, mestrando em Ecologia pela UEM, Secretário Executivo do CORIPA e Vice-presidente do CRBio 07.
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